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China considera favorito na eleição de Taiwan como sério perigo

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Pequim diz que Lai Ching-te, atual vice-presidente, instiga conflito; Taipé critica interferências repetidas

Porto Velho, RO - A China descreveu Lai Ching-te, atual vice-presidente de Taiwan e favorito para vencer a eleição presidencial, como um "sério perigo", informou a imprensa estatal nesta quinta-feira (11), três dias antes do pleito na ilha que Pequim considera uma província rebelde.

O gabinete para assuntos de Taiwan "expressou esperança de que os compatriotas taiwaneses vejam o sério perigo representado pela instigação de conflitos por Lai através do estreito de Taiwan e tomem a decisão certa", segundo comunicado divulgado pela agência oficial de notícias Xinhua. A declaração incluiu comentários do porta-voz do gabinete, Chen Binhua.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Joseph Wu, criticou as "interferências repetidas" da China nas eleições da ilha, marcadas para o sábado (13).

"As próximas eleições de Taiwan estão sob olhares internacionais e a repetida interferência rouba o foco. Francamente, Pequim deveria parar de se intrometer nas eleições de outros países e celebrar as suas próprias", publicou Wu na rede social X.

Pesquisas de intenções de voto indicam Lai, da legenda governista Partido Democrático Progressista (PDP), como o favorito. Entre as participantes da disputa, a sigla é a defensora mais firme de uma independência de fato para ilha em relação a Pequim.

"Se chegar ao poder, ele pressionará por atividades separatistas para a 'independência de Taiwan' [e criará] turbulência no estreito", diz a declaração chinesa. Lai acusou Pequim de tentar minar as eleições ao aumentar a pressão sobre a ilha nas últimas semanas.

A votação em Taiwan é acompanhada de perto pelas autoridades da China e dos Estados Unidos, dado que seu resultado pode afetar o futuro das relações da ilha com Pequim. A China considera Taiwan parte de seu território e prometeu retomá-la um dia, enquanto Washington se posiciona como o principal aliado do território em termos de segurança, fornecendo armamentos e fazendo negócios com ele.

A retórica chinesa —por vezes inflamada, mas sempre sólida quanto a sua reivindicação a respeito de Taiwan—, deixa claro a autoridades que as ameaças vindas de Pequim podem se transformar em ação de várias formas para além de uma invasão.

Autoridades de Taipé e especialistas em segurança digital têm claro que a China não vai limitar eventuais ataques às forças de segurança e à infraestrutura de defesa, mas tentará desconectar a ilha do resto do mundo.

"Dado que Taiwan é uma ilha, todas as comunicações com o mundo exterior dependem de cabos submarinos", disse o vice-ministro de Assuntos Digitais de Taiwan, Huai-jen Lee, em uma entrevista recente à AFP. "O pior cenário é que cortem todos os nossos cabos submarinos".

Taiwan já enfrenta ameaça persistente de hackers furtivos que acessam redes de computadores para "permanecer e esperar na infraestrutura da vítima", afirmou Crystal Tu, especialista em segurança digital no Instituto de Pesquisa em Defesa Nacional e Segurança de Taiwan, também à AFP.

Eles podem ser muito ativos durante um conflito, por exemplo, com "uma operação cibernética para interromper infraestruturas críticas, incluindo setores de telecomunicações, energia e finanças", disse.

As autoridades estimam que as agências governamentais enfrentam 5 milhões de ciberataques diários. A ilha viu o número de ataques do tipo crescer 80% no primeiro semestre de 2023, de acordo com a empresa de segurança digital Fortinet.

No ano passado, a americana Microsoft alertou para a ameaça de um grupo chamado Flax Typhoon, que opera da China contra Taiwan. A gigante de tecnologia afirmou que o Flax Typhoon "tenta espionar e manter o acesso" a várias organizações taiwanesas pelo maior tempo possível.

Há também ataques direcionados à indústria de semicondutores da ilha —Taiwan é líder mundial e domina a produção dos chips mais avançados do mundo, cruciais para a economia global.

No ano passado, a empresa Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), que controla mais da metade da produção mundial de chips, relatou uma violação de dados em um de seus fornecedores.

"Taiwan é um alvo importante porque está no topo de uma cadeia de suprimentos de alta tecnologia imprescindíveis", afirmou Jim Liu, da empresa Fortinet.

Fonte: Folha de São Paulo

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