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Em meio a tensão entre Venezuela e Guiana, Brasil reforça fronteira com mísseis antiblindados

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Ministério da Defesa antecipou a incorporação de dezenas de Mísseis Superfície-Superfície 1.2 AntiCarro (MSS 1.2 AC), de fabricação nacional, pela 1ª Brigada de Infantaria de Selva

Porto Velho, RO - Em meio às tensões na região de Roraima devido à disputa entre Venezuela e Guiana pelo território de Essequibo, o Ministério da Defesa antecipou a incorporação de dezenas de Mísseis Superfície-Superfície 1.2 AntiCarro (MSS 1.2 AC) pela 1ª Brigada de Infantaria de Selva.

O movimento estratégico visa fortalecer a capacidade de defesa da região diante de possíveis ameaças, incluindo a preocupação com a possibilidade de tropas venezuelanas utilizarem Roraima como rota para uma eventual invasão da Guiana, além de enviar um recado claro às potências extrarregionais que possam aproveitar a oportunidade para montar uma base na Amazônia.

Segundo reportagem do jornalista Marcelo Godoy, do jornal O Estado de S. Paulo, “a incorporação do MSS 1.2 AC estava prevista para acontecer em 2024 em unidades específicas antes de distribuição geral, mas, a exemplo do que ocorrera com a transformação do esquadrão de cavalaria de Boa Vista em 18º Regimento de Cavalaria Mecanizada (18.º RCMec), ela foi antecipada e realizada antes mesmo da conclusão do relatório final sobre os testes do equipamento. A medida tem o objetivo de suprir a falta de uma defesa eficaz em Roraima contra carros de combate, como o T-72, de fabricação russa, usados, por exemplo, pelo exército da Venezuela”.

A medida de reforço militar inclui não apenas a incorporação dos mísseis, mas também a transferência de blindados multitarefas Guaicurus para a 1ª Brigada de Infantaria de Selva, que irão se somar aos “blindados Guaranis e EE-9 Cascavel que já equipavam o antigo esquadrão de cavalaria.

Nenhum deles, no entanto, dispunha de meios adequados para deter carros de combate como o T-72, com seu canhão de 125 mm, capaz de atingir alvos a mais de 2,5 km de distância.A conversão dele em regimento estava prevista no Plano Estratégico do Exército (PPEx), mas só deveria acontecer dentro de um an”, ressalta a reportagem.

O MSS 1.2 AC, fabricado pela SIATT, empresa sediada em São Paulo, vem sendo testado desde 2018 e teve seus últimos ensaios concluídos em dezembro, demonstrando efetividade contra alvos a 2 mil metros de distância, podendo alcançar até 3 mil metros, alcance semelhante ao Javelin estadunidense e que teve sua autorização para ser vendido ao Brasil emitida somente no ano passado.

O míssil guiado a laser e com capacidade para penetrar em blindagens de 530 mm pode ser utilizado por unidades de infantaria ou em viaturas blindadas leves, como as do regimento de Boa Vista, podendo ser empregado contra carros de combate, casamatas e até helicópteros

No contexto atual, com os estoques mundiais desse tipo de armamento sendo consumidos em conflitos como o da Ucrânia, o MSS 1.2 AC é visto como uma solução estratégica para a defesa nacional.

A Guiana e a Venezuela concordaram na quinta-feira em evitar o uso da força e não aumentar as tensões em sua disputa pela área de Essequibo, rica em petróleo, após uma reunião entre seus chefes de Estado em São Vicente e Granadinas.

A região de 160.000 km² é reconhecida de modo geral como parte da Guiana, mas, nos últimos anos, a Venezuela reativou sua reivindicação ao território e às áreas offshore após grandes descobertas de petróleo e gás.

Fonte: Brasil247

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