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Papa Francisco sinaliza possibilidade de bênção a casais homoafetivos em resposta a conservadores

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"Não podemos nos tornar juízes que apenas negam, rejeitam, excluem", escreveu o papa

Porto Velho, RO - O papa Francisco voltou a dizer que o casamento é a união "entre um homem e uma mulher" e, portanto, o pedido de bênção feito por casais homossexuais não deve ser confundido com o sacramento do matrimônio.

A declaração foi dada em resposta a dúvidas de cinco cardeais conservadores que questionaram Jorge Bergoglio sobre sua posição em assuntos relacionados a casais homossexuais e acesso das mulheres ao ministério sacerdotal.

Em um dos questionamentos, os cardeais perguntavam se a Igreja poderia aceitar como "um possível bem situações objetivamente pecaminosas, como as uniões entre pessoas do mesmo sexo".

Francisco esclareceu que a "Igreja tem uma concepção muito clara do casamento, que é uma união exclusiva, estável e indissolúvel entre um homem e uma mulher, naturalmente aberta à geração de filhos"; por isso, deve evitar "qualquer tipo de rito ou sacramento que poderia contradizer essa convicção e implicar que algo é reconhecido como casamento".

Por outro lado, o pontífice ressaltou que os padres e bispos não devem perder a "caridade pastoral, que deve passar por todas as decisões e atitudes" dos prelados. "Quando você pede uma bênção, você expressa um pedido de ajuda a Deus, uma oração para poder viver melhor. Portanto, não podemos nos tornar juízes que apenas negam, rejeitam, excluem", afirmou.

O líder católico ressaltou que "a prudência pastoral deve discernir adequadamente se existem formas de bênção, solicitadas por uma ou várias pessoas, que não transmitam uma concepção errada do casamento". "Embora existam situações que, do ponto de vista objetivo, não são moralmente aceitáveis, a mesma caridade pastoral exige que não tratemos simplesmente as outras pessoas como 'pecadoras'", salientou.

As dúvidas haviam sido apresentadas pelos cardeais Raymond Leo Burke (EUA), Walter Brandmuller (Alemanha), Juan Sandoval Íñiguez (México), Robert Sarah (Guiné) e Joseph Zen Ze-kiun (Hong Kong), e a carta foi vazada dois dias antes do início do Sínodo dos Bispos, que abordará as mesmas questões.

O documento era datado de 10 de julho, e Francisco respondeu no dia seguinte, mas os cardeais sentiram que as respostas não eram suficientes.

"Com a mesma sinceridade com que nos respondeu, devemos acrescentar que as suas respostas não resolveram as dúvidas que havíamos levantado, mas as aprofundaram", escreveram os cardeais em uma nova carta, datada de 22 de julho e na qual reformulam as dúvidas para que possam ser respondidas com um simples "sim" ou "não".

As dúvidas chegam em meio à insatisfação das alas mais conservadoras do clero contra a postura progressista de Francisco - o próprio Raymond Burke já insinuou certa vez que um papa poderia ser "herege".

Na carta, os cardeais ainda questionam se "é impossível que a Igreja hoje ensine doutrinas contrárias às que ensinava anteriormente em matéria de fé e moral"; se "é possível que em algumas circunstâncias um padre possa abençoar uniões entre pessoas homossexuais, implicando assim que o comportamento homossexual como tal não seria contrário à lei de Deus e ao caminho da pessoa em direção a Deus"; e se "a Igreja poderá no futuro ter o poder de conferir a ordenação sacerdotal a mulheres".

Em relação à possível ordenação de mulheres, Jorge Bergoglio recordou o "importante papel" delas na Igreja, independentemente de não serem sacerdotes, mas reiterou que essa proibição "não é uma definição dogmática" e "pode ser objeto de estudo".

Fonte: Brasil247

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