O economista-chefe da consultoria Análise Econômica, André Galhardo, compartilha avaliação semelhante. Ele recomenda que a compra de moeda estrangeira seja feita de forma gradual, com o objetivo de alcançar um preço médio mais equilibrado.
Segundo ele, para quem precisa adquirir dólares, a melhor estratégia é distribuir as compras ao longo do tempo — seja diariamente ou semanalmente — evitando concentrações em um único momento. Galhardo alerta que apostar na continuidade da valorização do real envolve riscos consideráveis.
A recente desvalorização do dólar está ligada, em grande parte, ao cenário internacional instável, influenciado por decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Esse contexto tem levado investidores a buscar alternativas em mercados emergentes, como o Brasil. Além disso, os juros elevados no país tornam os investimentos locais mais atrativos.
Apesar disso, o economista destaca que o ambiente ainda é incerto. Para ele, aproveitar esse movimento para realizar compras em grande volume de uma só vez pode ser uma decisão arriscada.
Mesmo com a cautela, especialistas do mercado financeiro apontam que o momento pode ser favorável para adquirir a moeda americana — desde que a estratégia seja baseada em compras fracionadas.
Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, considera que o dólar próximo de R$ 5 representa uma oportunidade para reforçar a posição na moeda dentro da carteira de investimentos, especialmente diante da expectativa de que a cotação encerre 2026 acima de R$ 5,37.
Na mesma linha, Sérgio Samuel dos Santos, do Sistema Ailos, avalia que o patamar atual é adequado para diversificação ou aquisição parcial de dólares, reforçando a importância de compras graduais para diluir riscos.
Já Rafael Minotto, da Ciano Investimentos, também enxerga uma janela interessante para compra, mas ressalta que o dólar é altamente sensível a fatores como conflitos internacionais, juros, petróleo e situação fiscal, o que exige atenção à volatilidade.
A queda recente da moeda americana está relacionada ao aumento das incertezas globais, impulsionadas por tensões comerciais e geopolíticas. Esse cenário tem incentivado investidores a diversificar aplicações, direcionando recursos para países emergentes, como o Brasil.
Parte do capital tem migrado dos Estados Unidos para outros mercados, ampliando o fluxo financeiro no país e contribuindo para a redução do dólar frente ao real.
Eventos internacionais também influenciaram o comportamento da moeda. O conflito no Oriente Médio, iniciado no fim de fevereiro, interrompeu a trajetória de queda e elevou o dólar acima de R$ 5,30 em março. Em abril, porém, a moeda voltou a recuar diante de sinais de trégua e possíveis avanços diplomáticos entre EUA e Irã.
Além dos fatores externos, especialistas destacam que o Brasil possui uma das maiores taxas de juros reais do mundo, o que atrai investidores em busca de maior rentabilidade. Esse movimento aumenta a entrada de dólares no país e pressiona a cotação para baixo.
Outro ponto relevante é o forte desempenho das exportações de commodities, que contribui para a sustentação desse cenário, especialmente em um momento em que o Brasil sofre menos impactos diretos de conflitos internacionais.
Por fim, Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, observa que a desvalorização do dólar ocorre em escala global. Segundo ele, esse movimento pode estar alinhado à estratégia econômica de Donald Trump, que busca enfraquecer a moeda americana ao mesmo tempo em que eleva barreiras comerciais, incentivando a produção interna nos Estados Unidos.