Porto Velho, RO – A guerra no Irã começa a gerar impactos que ultrapassam o Oriente Médio e já acendem alerta sobre o fornecimento mundial de alimentos. O conflito tem afetado rotas marítimas e o comércio de insumos essenciais para a produção agrícola.
Nesta terça-feira (24), a Rússia, um dos principais produtores globais de fertilizantes, anunciou a suspensão temporária das exportações por um mês. A medida visa garantir o abastecimento interno e atender a demanda dos agricultores do próprio país.
O cenário preocupa organismos internacionais. Estimativas do Programa Mundial de Alimentos indicam que até 45 milhões de pessoas podem enfrentar insegurança alimentar, especialmente se o preço do petróleo permanecer acima de US$ 100 por barril nos próximos meses.
Com o aumento dos riscos na região, embarcações têm alterado suas rotas para evitar áreas de conflito. Isso tem provocado atrasos significativos nas entregas e elevação dos custos logísticos. Em alguns casos, navios estão percorrendo milhares de quilômetros adicionais, o que impacta diretamente no preço final dos produtos.
Além disso, os custos já registram alta. O petróleo teve aumento de cerca de 40%, enquanto o frete marítimo subiu aproximadamente 20%. Os fertilizantes também sofreram forte valorização, com destaque para a ureia, que teve elevação próxima de 50%.
A produção desses insumos depende do gás natural, abundante no Oriente Médio. Com a instabilidade, parte das fábricas na região reduziu ou interrompeu suas atividades. Antes da guerra, uma parcela significativa do comércio global de fertilizantes passava pelo Estreito de Ormuz, área diretamente afetada pelo conflito.
Especialistas alertam que a falta de fertilizantes no período correto pode comprometer as safras, reduzindo a produtividade agrícola. No Brasil, os efeitos ainda não são imediatos devido ao calendário de plantio, mas já existe preocupação com possíveis impactos futuros.
Outro fator de atenção é a decisão de países como China e Rússia de restringirem exportações para proteger seus mercados internos. O Brasil, por exemplo, importa cerca de 25% dos fertilizantes da Rússia.
Ao mesmo tempo, o Programa Mundial de Alimentos enfrenta redução de recursos, já que diversos países têm priorizado investimentos em defesa. O histórico aponta que a escassez e o encarecimento dos alimentos podem aumentar tensões sociais e contribuir para novos conflitos.