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Derretimento das geleiras vai causar mais terremotos e erupções no futuro

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Os cientistas agora avaliam uma nova consequência grave do derretimento das geleiras: mais terremotos e erupções vulcânicas

Porto Velho, RO - Nos últimos anos, temos observado uma ampla gama de consequências das mudanças climáticas na Terra, com o derretimento das geleiras e aumento do nível da água.

No entanto, isso está causando um distúrbio natural. Regiões com aumento de temperatura enfrentam desafios como incêndios florestais e secas, enquanto áreas de clima mais temperado sofrem com enchentes e tempestades.

Além disso, nas regiões do Ártico e Antártida, as geleiras estão derretendo a uma taxa alarmante, o que preocupa os cientistas.

Pesquisas recentes indicam que essas mudanças climáticas também estão relacionadas ao aumento da ocorrência de terremotos e erupções vulcânicas, e essa tendência parece estar subindo.



Em julho deste ano, eventos climáticos extremos ocorreram com frequência, incluindo incêndios florestais devastadores no Canadá e em diversos países europeus, bem como as maiores chuvas registradas em Pequim nos últimos 140 anos.

O derretimento das geleiras nas regiões polares é um fator significativo no aumento do nível do mar, que está subindo a uma taxa de 3,3 mm por ano.

Isso resulta em erosões costeiras e inundações em todo o mundo, agravando ainda mais os riscos geológicos, particularmente relacionados às movimentações da crosta terrestre, influenciadas pelas chuvas e pela redução das geleiras.

Chuvas e terretomotos

A conexão entre as chuvas e a ocorrência de terremotos já é conhecida pela geologia há algum tempo. Nas montanhas do Himalaia, por exemplo, o ciclo anual das chuvas de monção desempenha um papel fundamental na frequência dos tremores.

Cerca de 48% dos terremotos na região ocorrem durante os períodos mais secos pré-monsoon, que compreendem os meses de março a maio, enquanto apenas 16% ocorrem durante a estação de monções.

Um relatório do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) em 2021 revelou que o nível de chuvas aumentou em várias partes do mundo desde 1950, e o aquecimento global resultou em uma atmosfera mais quente, capaz de reter mais vapor de água, aumentando os índices pluviométricos.

Durante a temporada de monções de verão, as chuvas podem chegar a até 4 metros, exercendo pressão sobre a crosta terrestre, tanto horizontal quanto verticalmente.

Isso cria uma espécie de estabilização que, no inverno, se desfaz com a evaporação da água, gerando um efeito rebote que pode levar a terremotos.

Os cientistas acreditam que a intensidade das chuvas de monção na Ásia tende a aumentar com as mudanças climáticas. Isso, por sua vez, aumentará o efeito rebote no inverno e a frequência de terremotos.

Outro fenômeno importante a ser considerado é a isostasia, também conhecida como ajuste isostático, que ocorre devido à influência de cargas pesadas na superfície terrestre, especialmente as geleiras.

Quando essas massas de gelo desaparecem, a litosfera, a camada mais fina da Terra, é levantada pela pressão exercida pela astenosfera, uma camada semi-fluída mais profunda.

Por outro lado, o surgimento de novas geleiras faz com que a litosfera afunde para compensar o peso.



Isostasia

A isostasia representa um constante processo de busca por equilíbrio entre as camadas terrestres.

No hemisfério norte, ainda estamos observando uma elevação da superfície devido ao degelo que ocorreu no final da última Era do Gelo, há cerca de 20.000 anos.

Isso é evidenciado pelo aumento das praias na Escócia, algumas das quais estão agora 45 metros acima do nível do mar.

Na Escandinávia, o fenômeno da elevação das praias se combinou com desequilíbrios tectônicos para gerar uma série de terremotos entre 11.000 e 7.000 anos atrás, com alguns atingindo mais de 8 graus na escala Richter.

O derretimento das geleiras atual é motivo de preocupação entre os cientistas, devido aos possíveis efeitos associados ao fenômeno da isostasia.
Derretimento das geleiras e os vulcões

As geleiras desempenham um papel crucial não apenas nas questões sísmicas, mas também nas atividades vulcânicas.

Há cerca de 5.500 a 4.500 anos, durante um período de resfriamento global, as geleiras se expandiram na área que hoje conhecemos como Islândia.

Análises das cinzas depositadas na Europa revelam que a atividade vulcânica na ilha diminuiu significativamente durante esse período mais frio.

No entanto, quando o clima começou a se aquecer novamente, os vulcões voltaram à atividade, embora isso tenha ocorrido centenas de anos depois.

Uma das explicações para esse fenômeno está relacionada à compressão exercida sobre a crosta terrestre e o manto sob o peso das geleiras.

Essa pressão mantém o material subterrâneo em um estado mais sólido, onde não pode ocorrer a formação de magma que é expelido em erupções vulcânicas.

Com o derretimento das geleiras, o peso e a pressão diminuem, fazendo com que o manto entre em um processo de fusão descompressiva, essencialmente transformando-se em magma líquido.

Isso, por sua vez, gera atividade vulcânica, como a observada na Islândia, por exemplo.

Atualmente, vulcões como Katla e Grímsvötn permanecem ativos durante todo o verão na Islândia. Isso porque a camada de gelo das geleiras, como a Mýrdalsjökull, derreteram.

Se o planeta continuar seguindo padrões semelhantes ao passado, podemos esperar que terremotos significativos e erupções vulcânicas se tornem mais frequentes e menos raros. A previsão é para daqui a centenas de anos, mas já sentimos agora.

Fonte: Fatos Desconhecidos

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